Sucot, a festa da Terra de Israel


Em muitos lugares ainda se comemoram os festivais da colheita, confraternização muito antiga que remonta às antigas civilizações. Todos os povos celebravam o término de suas colheitas com grandes festas e sacrifícios aos deuses em agradecimento às dádivas agrícolas alcançadas naquele ano. No caso do povo judeu, seria Sucot também uma festa agrícola?
Não é raro encontrar aqui e ali explicações sobre a festa de Sucot relacionando-a com as festas agrícolas costumeiras nos demais povos. E não é por menos, justamente quando se terminam os tempos da colheita e começa o período das chuvas se celebra com a alegria trazendo nas mãos frutos da terra e mesmo a Torá chama esta festa de “chag hakatzir bikurei ma’ssecha” – festa da colheita das primícias do teu trabalho. Portanto à primeira vista sim parece tratar de mais uma festa agrícola.
Porém uma pessoa temente a D’us não aceita essa similaridade tão facilmente, haja vista ser Israel uma nação distinta das demais como está escrito na Torá: “Porque és povo santo a Hashem teu D’us; e te escolheu Hashem para seres a Ele seu povo eterno dentre todas as nações” (Devarim 14:2). Na busca de detalhes que diferenciem a festa de Sucot das festas agrícolas pagãs muitos rabinos nos ofertaram uma vasta literatura trazendo significados, muito embora semelhantes entre si, enriquecendo o valor espiritual dessa festa. Dentre tantos trarei aqui a opinião de Rambam, Maimônides, o qual a escreveu em Guia dos Perplexos, terceira parte, capítulo 43.
Rambam não desconsidera a similaridade entre Sucot e as festas agrícolas pagãs. Inclusive cita Aristóteles para evidenciar isto no que se refere ao tempo da celebração, o qual se dá no terminar das colheitas quando as pessoas se liberam de suas obrigações laborais no campo. (Shemot 23:16). Porém, se aprofunda mais na questão buscando a conexão espiritual.
Aprende-se de Sucot, ensina Maimônides, uma idéia e um valor. A ideia é a “perenidade dos sinais do deserto para as gerações”. Que possamos lembrar a saída do Egito e como Hashem nos manteve no deserto suprindo nossas necessidades com o maná, “porque em sucot (barracas) fiz habitar os filhos de Israel” (Vaikra 23:43). Dessa forma saímos do conforto de nossas casas para habitar em barracas com teto de palhas onde o sol e a chuva nos incomodam para recordar que uma vez assim vivemos no deserto para que hoje estejamos no conforte de nossas casas.
O valor é que possamos reconhecer que o conforto que recebemos hoje não é por nosso mérito, mas que provém da misericórdia divina pela memória e pelo mérito de nossos patriarcas, Abraham, Yitzhak e Yaakov, os quais eram completos no conhecimento e nos atributos. Aprendemos assim a ser agradecidos e favoráveis com os que não dispõem do mesmo conforto que nós.
No que se refere às quatro espécies, Maimônides as entende como sendo alegria e celebração da saída do deserto porque lá não se crescem os frutos (Bamidbar 20:5). Toma-se as quatro espécies por três motivos: 1 – são fartas na Terra de Israel e florescem na época da festa, 2 – são do que melhor cresce aqui, e 3 – permanecem verdes e vivas os sete dias. Celebramos Sucot porque os sofrimentos no deserto foi para que viéssemos a Terra de Israel para habitar nela e disfrutar de seus prazeres. As quatro espécies representam as maravilhas da própria terra prometida.

Então vemos que a Festa de Sucot, na compreensão de Rambam pouco se refere a agricultura em si, mas a Terra de Israel e o seu potencial o qual devemos explorar.

Chag Sameach!

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