Seria a Mezuzá um amuleto judaico?


Em outra oportunidade esclareci em um post a respeito das similaridades de muitas mitzvot com práticas pagãs e que isso é normal uma vez que se tratam de ações humanas rotineiras. Todos comem, casam, abatem animais, fazem sacrifícios, rezam etc. A Torá nos orienta a viver por Hashem de forma que todas nossas ações sejam para que nos conectemos com Ele e para que façamos justiça e caridade no mundo (Devarim 4:4; Micha 6:8). Assim todas as tarefas humanas passam a ser regulamentadas pela Torá a fim de que saibamos o que nos está permitido e o que nos está proibido, e de que forma.

Então uma vez que a Torá nos regulamenta as práticas em comum com os demais povos a fim de nos diferenciar deles e nos santificar (Vaikra 20:26; 18:3), podemos dizer que todas as práticas judaicas são na verdade pagãs apenas que passaram a ser vistas segundo a perspectiva da Torá? Se dizemos que sim estamos categoricamente afirmando que a Torá nada mais é que um plágio de outras culturas e religiões e com isso eliminamos sua divindade e nada mais tem sentido, nem mesmo a existência de D’us.

Sim existe essa teoria de que o judaísmo foi construído nas formas de outros povos, porém essa teoria é antropológica e não teológica e estas duas ciências não andam de mãos dadas. Quando se propõe estudar o judaísmo teologicamente há que fazê-lo tomando em base sua tradição e os escritos de seus sábios. Claro que a afirmações sociológicas parecem coerentes dentro de outras perspectivas, porém não na perspectiva teológica judaica. Sendo assim cabe a pergunta: “acaso não se pode manifestar uma opinião própria segundo o entendimento da Torá?” A resposta é: claro que sim! Porém baseada nos ensinamentos dos sábios e/ou em um dos 13 princípios de interpretação de Rabi Eliézer (Sifra Vaikra 13), pelo menos.

Lá e cá já escutei ou li teorias que afirmam ser a Mezuzá uma espécie de amuleto judaico para a sorte ou, até mesmo, um artefato de substituição dos ídolos idólatras do Egito, com os quais o povo hebreu estava acostumado. Parece muito lógico dentro do discurso comparativo e na subjetividade da dedução. Mas segundo o judaísmo, qual seria a finalidade da Mezuzá?

Segundo a tradição judaica atende as seguintes finalidades:
1 – Lembrança: “a cada vez que entra e sai de um recinto se depara com a UNIDADE DE HASHEM, lembra de seu AMOR, DESPERTAR-SE DE SEU SONO (espiritual) E DE SEUS ERROS EM SEU TEMPO QUE HÁ PERDIDO e SABER QUE NÃO HÁ QUALQUER COISA QUE SE MANTENHA NESTE MUNDO E NOS DEMAIS MUNDOS QUE NÃO SEJA PELO CONSENTIMENTO (CIÊNCIA) DO CRIADOR, e com isso o indivíduo repense suas ideias e siga o caminho dos retos” Rambam Leis da Mezuzá 6:13.
2 – Para fortalecer espiritualmente e evitar que se peque: “todo aquele que tem posto os Tefilin em sua cabeça e em seu braço, Tzitzit em suas roupas e Mezuzá em sua porta é fortalecido para que não transgrida, haja vista ter muitos lembretes e estes são os anjos que o salvam de pecar” Menahot 43b.
3 – Para proteção: segundo a massóret (tradição) a letra “Shin” escrita fora da Mezuzá é o acróstico de “Shomer Dlatot Israel” (Guardião das portas de Israel), como está escrito: “rei de carne e sangue se assenta dentro de seu palácio enquanto que seus servos o guardam por fora, porém quanto ao Santo, abençoado seja, seus servos estão dentro e o homem dorme tranquilo em sua cama e Hakadosh Baruch Hu o protege desde fora, como está escrito: Hashem guardará tua entrada e tua saída desde agora e para o sempre (Tehilim 121:8)” Avodá Zará 11a.

Uma pessoa que põe uma Mezuzá com a intenção de proteger sua casa sim cumpre com a mitzvá. Além de que há base na guemará para isso, a mitzvá se cumpre no momento em que se fixa a Mezuzá não necessitando uma intenção (kavaná) especial ou adicional que não seja a de cumprir com a mitzvá em si. Tanto é assim que há uma difenreça na berachá para quando se fixa a Mezuzá na própria casa ou se a fixa na casa de um amigo, por exemplo. E não devemos pensar assim que se trate de um amuleto, pois embora possa ser a intenção de alguns, este não é o objetivo dela.
Gente, se pode ter uma fé coerente. Mas esta ideia racional além de contraditória até onde tenho visto vai em contra a Torá.

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Categorias:Curiosidades, emuná, Leis

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