10 Curiosidades sobre a vida de Rambam que talvez você não saiba


Rabino Moshe ben Maimon, conhecido pelas iniciais de seu nome como Rambam ou pela forma graga Maimônides, foi um dos grandes legisladores de todas as gerações, importante filósofo da idade média, homem culto, cientista, médico, investigador dos escritos judaicos e líder comunitário e religioso. Um dos homens mais importantes e admirados nos judaísmo sobre o qual se diz: “de Moshe até Moshe não se levantou alguém como Moshe”. Também foi apelidado de “A Grande Águia”.
Rambam foi um dos grandes Rishonim, terceira geração de sábios depois de terminado Talmud que viveram entre os séculos XI e XV. Ele nos presenteou com um legado de conhecimento e publicações tão grande que até mesmo em nossos dias não se para de escrever livros em seu nome ou baseados em seus escritos. Maimônides escreveu sobre diversos temas: medicina, filosofia, decretos rabínicos, explicações sobre os ensinamentos dos sábios, responsas, cartas para comunidades que o consultavam etc. e de todos seus escritos temos um mundo de conhecimento para aprender.
Mas em fim, vamos para as curiosidades sobre a vida de Rabenu:
  1. Explicação da Mishná – Quando tinha a idade de 23 anos escreveu sua primeira obra judaica chamada de Explicação da Mishná o qual elucida todas as mishnaiot do Talmud. A Introdução ao Capítulo “Parte”, referente ao capítulo 10 de Sanhedrin, é uma obra fantástica de Emuná onde expõe em primeira mão os 13 princípios do Judaísmo. A introdução a Massechet Avot é chamada de “Oito Capítulos” onde Rambam nos agracia com emuná e ética.
  2. Sefer Hamitzvot – Enumera os 613 mandamentos da Torá escrita. Antes de sua enumeração Rambam nos explica como identificar os mandamentos na Torá nos ensinado 14 características que os identificam. Interessante saber que Rambam escreveu esta obra como uma forma de preparar o público para sua obra célebre: Mishne Torá.
  3. Mishne Torá – Esta é a obra que rendeu a Rambam sua fama como legislador e líder comunitário com influência em todas as comunidades sefarditas e orientais. Também é conhecida por Mão Forte (Yad Hazaká) por seus 14 todos, número que corresponde ao valor número da palavra Yad (mão). A obra consta de 1000 capítulos escritos em 10 anos, o que corresponde a 3 capítulos por semana. Ahhh mas vale ressaltar que nos manuscritos encontramos anotações e correções já atualizadas nas primeiras cópias o que sugere que nesses dez anos não apenas escreveu mas também revisou sua obra. O Mishne Torá aborda todos os mandamentos da Torá e dos sábios em todos os campos da vida do povo judeu.
  4. Guia dos Perplexos – Conhecido no mundo das yeshivot pelo seu nome em hebraico: Morê Nevuchim, é a obra clássica de emuná (fé) de Rambam. Divididos em 3 todos aborda explicações sobre D’us, homem, criação e mandamentos e qual relação entre todos. Esta obra foi uma das mais criticadas no clube dos legisladores medievais. Mas Rambam já sabia que isso iria acontecer e na introdução de seu livro ele deixa claro para quem destina sua leitura: para o religioso conhecedor e satisfeito com sua fé (a fé dos sábios de Israel) que conhece filosofia mas que tem dúvidas em certos pontos.
  5. Cartas de Rambam – Hoje encontramos condesadas em um único livro. Trata-se das cartas em resposta as comunidades judaicas, ou a rabinos, sobre temas de emuná e assuntos comunitários. As mais famosas são as “carta sobre extermínio” que trata sobre como se comportar em momentos de perseguições e traz alento e esperança para os que sofrem delas; e “carta ao Yemen” direcionada a comunidade yemenita para aliviá-la de perseguição mulçumana e orientá-la sobre o verdadeiro messias.
  6. Livros de Medicina – Rambam também estudou medicina e escreveu seus livros a respeito. Em sua obra pode-se encontrar suas investigações e recomendações sobre asma, alergias, infecções tóxicas, diabetes etc.  Dentre as instruções médicas de Rambam as que ainda hoje são super atuais são: a necessidade da prática de exercícios, alimentação organizada e equilibrada e a obrigatoriedade de horas de sono suficientes para descansar o corpo, além de receitas naturais para um bom funcionamento fisiológico e metabólico. O curioso é que apesar de escrever 11 livros de medicina, Maimônides não se dedicou a essa profissão até a morte de seu irmão que o sustentava financeiramente para que pudesse estudar e ensinar Torá. Sendo assim, Rambam começa a ser conhecido como brilhante médico no Egito quando já tinha seus 50 anos.
  7. Demais livros – Maimônides escreveu outros livros. Uns se tem referência deles em obras de outros autores, até mesmo com citações, mas nunca se pode encontrar uma cópia ou os manuscritos em si. Outras obras são menos exploradas e com baixa publicação como “Explicações sobre as mitzvot difíceis”, “Leis Yerushalmi”, “Coletânea dos entendimento de Rif sobre partes do Talmud”, “Dicionário da Inteligência” e outros.
  8. Posicionamento de Rambam sobre os dias do Messias – Rabi Ben Maimon trouxe posicionamentos duros no que se refere aos tempos do Mashiach que incomodaram a muitos outros rabinos e comunidades. Mas para Rambam o que lhe importava era que a verdade fosse dita! Entre elas disse que não se deveria estar buscando decifrar dentro dos midrashim quando viria o Messias, pois tais práticas apenas levariam a  uma debilidade de fé. Pelo contrário, deveria manter a fé e esperar sua vinda, mesmo que tarde.

    Também cotovelou muita gente (e ainda segue cotovelando) quando disse: “os profetas e os sábios não profetizaram os dias do Mashiach para que dominemos toda a terra, nem para que subjuguemos os não judeus, nem para que tentemos estes povos e nem para comer e beber e se alegrar. [Estes dias são] para que estejam livres para a Torá e sua sabedoria. Naqueles dias não haverá nem ditador nem vagabundo para que mereça a vida no Mundo Vindouro”.

    Ensina Rambam que nos dias do Mashiach o mundo estará em paz, mas seguirá sua condição normal, nada de sobrenatural haverá. Tais dias são para que os justos estudem Torá para merecerem o melhor lugar no Mundo Vindouro.

  9. A Grande Águia –  Rambam é apelidado assim por sua visão sobre a Torá que o beneficiou com a capacidade de alcançar detalhes ainda não explorados. Também se faz referência a sua influência tanto em sua geração como nas demais. A origem do apelido vem de um midrash que diz: “tinha suas asas cobrindo todo o mundo e não havia ave, gado ou animal que pudesse enfrenta-la” (Midrash Aba Gurion).
  10. Relação Familiar – Rambam teve uma infância muito difícil. Era órfão de mãe. Aos 10 anos teve que fugir de Córdoba, do domínio do sultão. Desde pequeno se dedicava aos estudos e era reconhecimento como um garoto prodígio. Seu irmão lhe ofereceu trabalhar para manter seus estudos e assim foi. Rambam nunca precisou trabalhar enquanto seu irmão era vivo. O irmão de Rambam se dedicava a rotas marítimas e vendas de pedras preciosas e especiarias orientais.
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2 replies

  1. Mais uma maravilhosa exposição, tendo dito: Não basta conhecer, deve agregar ao conhecimento metodologia, habilidade essencial para expor o conhecimento, pensamento e ensinamento. Parabéns.

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