Passo-a-passo de como kasherizar


Quando se fala em kasherizar a casa para pessach imediatamente vem em nossa mente o desejo de ser rico e poder vender a casa e mudar-se para outra. E quando se tem crianças a coisa é ainda mais grave. Vamos tentar desmistificar esse bicho de sete cabeças e mostrar que kasherizar pode ser mais fácil do que você pensava.

Antes de começar devemos ter em mente uma regra bem simples. Aprendemos na mishná[1]: “aquele que toma um utensílio de um não judeu, se imergido imergirá, por cozimento o cozinhará, por abrasar o abrasará ao fogo…” Ou seja, os utensílios novos devem ser imergidos em mikvê, como vimos anteriormente, mas os usados serão kasherizados segundo a forma que foram utilizados, o que chamamos “kebol’ô kach poltô” (כבולעו כך פולטו) .

Há quatro métodos para se kasherizar um utensílio de cozinha: 1. por lavagem (hadachá); 2. por terra (naetz sakin); 3. por água fervente (hagalá); e 4. por abrasamento (libun).

Cada método será aplicado segundo a forma que mais se acostumou em usar o utensílio. Por exemplo: se uma panela se usa sempre para cozinhar ao fogo, se usa água fervente para kasherizá-la; se um espeto de churrasco é usado em contato direto com fogo então se o abrasará. Utensílios de plástico não há forma de se kasherizar. Porcelana, cerâmica, resina e vidro falaremos mais adiante.

Outra regra é que só se deve kasherizar depois de bem lavados e já não usados por um período de 24h.

Agora vamos a uma lista rápida por itens:

1 – O que não se acostumou a kasherizar: utensílios de madeira, cerâmica, barro, plástico, teflon y porcelana. Para ashkenazim utensílios de vidro também não se kasherizam.

2 – Utensílios de vidro, para sefardim, não aderem sabores não precisando de qualquer processo de kasherização bastando lavar bem.

3 – Panelas, formas, colheres, garfos e conchas de metal (NAO TEFLON) que tem contato direto com a comida no seu cozimento se kasheriza por “agalah” da seguinte forma:

  1. Panelas: encher com água até a borda e ferver. Quando a água estiver fervendo colocar um objeto de grande volume (uma pedra) para que a água escorra para fora da panela.
  2. Talheres de servir basta com verter água fervendo em cima.
  3. Talheres com cabos de plástico ou madeira não se acostumou a kasherizar, segundo umas opiniões, no geral sim pode kasherizar na condição que se limpe bem entre o cabo de plástico ou madeira e o metal, onde se acumula muita sugeira.
  4. Para algumas opiniões também se deve fazer agalá para utensílios de vidro.
  5. Uma outra forma de fazer “agalá”, que é bem mais prática quando se tem muitos utensílios para kasherizar, é usar uma panela grande o suficiente para submergir outras panelas. Assim a enche com água e põe para ferver. Depois de atingir a ebulição se submerge todos os utensílios que queira.
  6. Panelas de Teflon usadas para cozinhar líquidos se podem kasherizar por agalá. Se usada em seco se faria necessário libun é isso danifica a panela. Há novos modelos de panelas anti-aderente a base de cerâmica, marmore e outros materiais. As feitas de cerâmica e marmore recebem o mesmo tratamento de um recipiente de barro para a maioria dos poskim.

4 – Balcão, mesa, superfícies de trabalho, mármores. Dependerá de que material é feito.

  1. a) Se de madeira deverá lixar para extrair toda a camada superior. Como este procedimento danifica a superfície, se acostuma a cobrir com folhas de alumínio.
  2. b) Se de inox, alumínio ou mármore: Para sefardim, verte-se água fervendo em cima. Ashkenazim cobrem o mármore com alumínio.
  3. c) Se de vídro: Sefardim lavam; ashkenazim o cobrem com alumínio.

5 – Pia: sefardim vertem água fervendo; ashkenazim usam uma rede de malha de metal para que não se tenha contato com a pia quando esta é, principalmente, de cerâmica.

6 – Fogão: Cobrir a superfície e as grades do fogão com alumínio. Havia o costume de se fazer “libum” (aquecer o metal até ficar incandescente) nas grades do fogão, mas como hoje o material tem menor resistência praticamente não se usa “libum” em nada para que não se tenha prejuízos econômicos.

7 – Forno: Suficiente com limpar com sabão todas as partes e depois de 24h aquece-lo à temperatura máxima por 30min. A FUNÇÃO AUTO-LIMPANTE APENAS NÃO É SUFICIENTE. Há ashkenazim não acostumam a kasheriar o forno.

8 – Micro ondas: depois de lavado com água e sabão, coloca-se um copo com água e aquece à temperatura máxima por dois minutos para que o vapor circule por todo o forno.

9 – Grelhas, bandeijas, grades e espetos que tem contato direto com o fogo só se podem kasherizar com “libum”. O “libum” é feito por meio de um maçarico ou labaredas intensas que aqueçam o metal a ponto de o encandecer e abrasar.

10 -Geladeira: para sefardim basta limpar tudo bem e remover todos os restos que estiverem grudados nos cantos do refrigerador. Ashkenazim além de limpar cobrem as prateleiras com alumínio ou plástico.

11 – Utensílios de cozinha novos de metal ou vidro comprados de não judeu devem ser emergidos em mikve ou manancial.

Em caso de dúvidas escreva abaixo! Pessach Sameach veKasher!

[1] Avodá Zará 5:12

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Categorias:Festas, Leis, Pessach

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