Estamos diante do Grande Rei


tefilin

Rambam nos ensina em Guia dos Perplexos 3:43 que as ações humanas não são realizadas como se estivéssemos sós em casa, mas que todas as nossas ações são feitas diante do Grande Rei. E não são nossas conversas como entre amigos em casa, mas como ante o trono do Rei. Dessa forma, aquele que deseja o aperfeiçoamento humano e ser uma pessoa divina de verdade (no que se refere a ser temente a D’us), se acorda pela manhã e refletirá que o Grande Rei que o sobrevoa e que sempre está consigo, é maior do que qualquer ser humano.

O cumprimento das mitzvot não estão atreladas a um público que nos vê e julga cada ação. Nossa relação com a Torá deverá ser afinada e sincronizada com a nossa consciência de sua importância para nós e para o mundo e de nossa necessidade dela. Dentre tantas explicações do porquê da Torá exponho três que em essência abrangem praticamente todas.

1 – Para Rabi Haim Mevolozim (Nefesh Hahaim) explica que as ações dos homens têm capacidade de influenciar neste mundo como no mundo espiritual. Nossas más ações (pecados – ‘averot em hebraico) impedem que as bondades e as dádivas de Hashem cheguem a este mundo para o elevar. Por outro lado, quando cumprimos as mitzvot trazemos estas dádivas e por meio dos anjos que controlam as forças deste mundo trazemos as bondades de Hashem para sua elevação.

2 – Rabi Moshe Haim Luzzato (Mesilat Yesharim) explica que a Torá é a ponte que nos aproxima de D’us. A cada mitzvot que cumprimos nos colocamos cada vez mais próximos da vontade divina e isso nos aproxima dEle. Por outro lado, as transgressões nos afastam de Hashem e do conhecimento de sua verdade.

3 – Rambam explica que atende a necessidade do concerto pessoal e do coletivo social e também da aquisição de da verdade que se pode alcançar neste mundo.

Não importa em qual dessas opiniões melhor nos identificamos ou melhor aceitamos como corretas, pois todas elas nos exortam para a importância da Torá. E independente do que façamos, todas nossas ações estão diante de Hakadosh Baruch Hu. De tal forma que sempre devemos ter em mente: Shiviti Hashem negdi Tamid (sempre tenho posto Hashem diante de mim).

Se devemos influenciar os mundos, nos aproximar de Hashem e concertar a nós mesmos e a sociedade, então deveríamos praticar a Torá sem a necessidade de seu estudo? Ou como está escrito que Talmud Torá Kenegued Culam (que o estudo da Torá está sobre todos) devemos nos dedicar a seu estudo sem se preocupar com sua aplicação? Chachamenu z”l discutiram sobre o que seria mais importante se o estudo ou a prática.

Traz em massechet Berachot (7b) “e disse Rabi Yochanan em nome de Rashbi: a grandeza da prática da Torá é maior que seu estudo”. Uma vez que a finalidade do estudo é para que pratiquemos a Torá então sua prática é maior. Sendo assim uma pessoa poderia somente praticar a Torá sem buscar conhecê-la.

Por outro lado em massechet Kidushin (40b) Rabi Tarfon pergunta aos sábios quem é maior se o estudo ou a prática. Ele mesmo contesta que a prática, Rabi Akiva responde que o estudo; responderam os sábios que o estudo que por meio dele é que se tem a prática.

Nos cabe fazer duas perguntas:

1 – Conhecimento da Torá sem suas obras, de que serve? Uma pessoa que estuda toda a Torá com Rashi, Baal Haturim, Raban, Ibn Ezra, Sforno; conhece todo o Talmud com Rashi e Tosafot, Tosefta, Sifra, Sifrei e Mechilta; versado em Mishne Torá, Shulchan Aruch e Zohar com todos os seus comentaristas; mas nega uma única mitzvá ainda que seja miderabanam (decretada pelos sábios) ou que nega corrigir suas midot (suas qualidades) todo o seu conhecimento é vão.

2 – Praticar todas as mitvot sem conhecimento, de que serve? O conhecimento na prática das mitzvot atende a dois objetivos: o da execução correta e devida da mitzvá e a correta intenção de sua prática. No que se refere ao conhecimento para o devido cumprimento não há o que discutir pois é claro como a luz do sol ao meio dia. Toda mitzvá (com exceção de seis das 613) tem seu tempo, sua forma, seu lugar e a quem está ordenado a cumprir. Não sabendo isso, se torna impossível seu cumprimento. Ainda que a ação seja a mais óbvia deve-se ter intenção de cumprir com a mitzvá. A exemplo disso nos traz o Shulchan Aruch nas leis de Netilat Yadaim (159:13) que “a princípio, aquele que lava as mãos, deve ter a intenção na lavagem que o permite comer”, há quem opine que se não teve a intenção deve voltar a lavar com berachá.

A prática e o estudo andam de mãos dadas. Há mitvot que nos obrigam até mesmo parar o estudo para que a cumpramos, como é o caso de cortejar um morto, o acendimento das velas de chanuká, a leitura da meguilá, etc. Nos ensina Rambam que por meio do cumprimento das mitzvot (de forma correta e com suas verdadeiras intenções) conhecemos a Kadosh Baruch Hu e a forma como ele maneja o mundo (Sefer Hamitzvot) e também que a intenção do estudo é a sua prática (Hakdamá Leperek Helek).

A cada um de nós chegará o dia em que nos apresentaremos diante do Beit Din Shel Ma’la (o Tribunal Divino) e o que nos perguntarão? “Mantiveste e compartilhaste tua fé? Reservaste tempo para a Torá? Te ocupaste na mitzvá de procriar? Entendeste algo a partir de outra coisa?” (Shabat 31a) Em quatro campos o Tribunal Celestial nos julgará: 1 – Se mantivemos a fé; 2 – se estudamos Torá; 3 – se praticamos Torá e 4 – se desenvolvemos e evoluímos no conhecimento.

Portanto, independente se estamos diante de um estádio de futebol lotado ou só em nosso quarto, sempre estamos diante de D’us e a Ele daremos conta de nossas ações. E não devemos ser prepotentes em julgar os fatos a nosso favor dizendo: “cada um está certo segundo sua própria perspectiva” ou “cabe a D’us julgar e não ao homem”. Tudo isso é falácia para justificar nossas más ações, pois tudo está na Torá, o que é certo e o que é errado está nela para nos orientar. E nela também está escrito: “e não errareis indo atrás de vosso coração e atrás de vossos olhos, atrás dos quais vós andais errando” (Números 15:39).

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Categorias:Curiosidades, emuná, Guia dos Perplexos, Leis

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