Por que Jerusalém não é citada na Torá?


Recentemente a UNESCO, hoje totalmente influenciada pelos árabes, há tomados decisões que vão contra séculos de história documental ao atribuir a lugares sagrados judaicos uma relação unilateral com a cultura e a religião árabe. Isso aconteceu com o monte do Templo em Jerusalém onde descartaram inicialmente a conexão judaica e o fato de ter sido construído pelos judeus; e recentemente com o túmulo dos patriarcas no qual reconheceram apenas a tradição islâmica. E isso segue em discussão para os demais lugares sagrados como o túmulo de Rachel, a matriarca, e de Yossef Hatzadik, filho de Yaakov Avinu.

Tudo isso é um absurdo. Mas quando focamos na questão de Jerusalém e seu Templo que existe mil anos antes do surgimento do Islã no qual não há qualquer menção em seu livro sagrado, ficamos estarrecidos de como é possível manipular os fatos para fazer valer seus interesses. A cidade sagrada dos judeus é citada no Tanach diversas vezes e se contamos com todas suas variações (Yerushalaim, Yerushlem, Yeshurun, Tzion, Yir David, etc) chegamos a contar 850 menções. Isso sem contar as citações no Talmud e demais literaturas judaicas e não judaicas anteriores ao Islã.

Porém o que nos desperta a curiosidade é que na Torá em si (o Pentateuco, coleção de cinco livros mais sagrados dos judeus escritos por Moshê Rabenu) Jerusalém não figura. Segundo drashot chazal podemos encontrar sinais ou menções indiretas sobre Jerusalém. A primeira delas está em Bereshit 14:18 “e Melki-Tzedek, rei de Shalem”; que no Salmo 76:3 afirma que Shalem é Tzion: “E em Shalem está sua sucá (tabernáculo), e sua morada em Tzion”.

Encontramos outra afirmação sobre Jerusalém no relato do sacrifício de Itzhak. Aqui Jerusalém é chamada de “Lugar”; “e viu o lugar de longe”, “e chegaram ao lugar que Hashem lhe dissera” (Bereshit 22:4,9). Moshê volta a chamar de “lugar” que escolheu Hashem (Devarim 12:26). Nesta ocasião Abraham chamou o lugar de Hashem Yeraê (Hashem proverá) e Onkelos o traduz como tendo Abraham dito que naquele lugar as demais gerações rezarão.

Rambam, tendo analisado tudo isso, nos emite sua opinião do porquê Jerusalém não ser mencionada na Torá traz três possibilidades (Guia dos Perplexos 3:25):

1 – Para que as nações não se apoderem dela e não guerreiem duramente por ela por saberem que este é o lugar em que se começa a Torá na Terra.

2 – Para que as nações não destruam o lugar uma vez que saibam que este é o lugar onde Israel julga a Terra.

3 – A explicação mais importante, segundo a própria opinião de Rambam: para que as tribos não guerreiem entre si pela posse da montanha assim como brigaram pela kehuná (sacerdócio) no episódio de Korach e seus partidários.

Se abrimos os jornais vemos Jerusalém citada ao menos uma vez por mês. A disputa por ela tem cruzado séculos. Sempre há quem queira tomar para si a Jerusalém seja como troféu espiritual seja como político. Em outras palavras, a Torá não citou Jerusalém para manter a Paz no mundo. Jerusalém deve ser o lugar de onde se emana paz para todas as nações, e isso só poderá acontecer quando nela estiver o Sanhedrin e o Templo, pois Jerusalém é o lugar de onde se parte a justiça; “porque de Sião partirá a Lei, e de Jerusalém a palavra de Hashem” (Yeshaiahu 2:3)

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Categorias:Curiosidades, emuná, Guia dos Perplexos, Parashá com Rambam

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