Estáticos ou Ativos? O dilema nos espera!


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Estamos as portas de Rosh Hashaná e no shabat que antecede este grande dia lemos duas parashiot Nitzavim e Vaielch. Encontramos aqui um paradoxo. O que a Torá quer de nós, que estejamos estáticos (nitzavim) ou que andemos (vaielech)? Pois temos duas opções: ou ficamos imóveis e passivos ou nos movemos e somos ativos. A Torá nos coloca em um dilema.

Às vésperas de Rosh Hashaná se vê muita gente se ocupando nos preparativos da festa. Arruma-se a casa, há quem até faz pequenas reformas. Prepara a lista de compras para as seudot. Vestidos luxuosos. Enfim tudo impecável para o dia de festa da comunidade. Para muitos não lhes passa na cabeça qual a importância desse dia, esquecem que embora seja festa é um dia de juízo.

Nos traz a Gemará em Rosh Hashana 16a que o mundo é julgado quatro vezes no ano. Diz a Guemará: “Disse Raba: aprendemos de Rami Ishmael: o mundo é julgado quatro vezes: em Pessach se julga sobre os grãos; em Atzeret (Shavuot) se julga sobre as frutas das árvores; na Festa (Sucot) se julga sobre as águas; e o homem é julgado em Rosh Hashaná, mas sua sentença é assinada em Yom Hakipurim”.

Então, sendo Rosh Hashaná o dia em que o homem é julgado, como podemos dizer que este é dia de festa, um Yom Tov? Legisla o Shulchan Aruch (Yore Deah 584): “não se recita Halel em Rosh Hashaná e Yom Kipur”. Há a mitzvá de se alegrar nas festas, como traz a Torá: vessamarchta bechagêcha (Devarim 16:14) por isso devemos fazer algo nos Yamim Tovim que aumente nossa alegria. Decretaram os sábios que se deve comer carne e tomar vinho, pois isso alegra o coração do homem, para as mulheres presentear roupas e jóias e para as crianças doces. E para Hashem recitamos Halel! Mas justamente em Rosh Hashaná e Yom Kipur não!

Então o próprio Rosh Hashaná nos traz um dilema: demos nos alegrar ou não? Sim devemos nos alegrar pois estamos certos da misericórdia de Hashem e que vamos passar pelo juízo inocentados. Além do mais é Yom Tov e o próprio Hashem nos ordena que nos alegremos. Contudo, não devemos esquecer que estaremos diante do tribunal celeste e sim devemos estar preocupados pois nossa vida está sendo julgada. Como se alegrar quando os livros da vida e da morte estão abertos?

Traz a segunda Mishná de Rosh Hashaná que neste dia todos passam diante de Hashem como Bnei Maron. Discutiram os sábios o que significaria o termo Bnei Maron. Para uns significa que estamos em pé, enfileirados como os soldados de David Hamelech. Outros disseram não, estamos como ovelhas que são contadas. Neste dia estamos todos diante do Criador sendo revistados e contados. E aqui também encontramos um dilema. Pois ou estamos imóveis como os soldados ou saltitantes como as ovelhas.

Em Rosh Hashaná estamos justamente assim, em um dilema. Não sabemos o que passará conosco. Não sabemos que juízo iremos receber. Ao ouvir nossa sentença estaremos imóveis assustados e temerosos ou saltaremos de alegrias como as ovelhas? Estaremos imóveis como os mortos ou ativos como os vivos?

Estas duas parashiot não estão aleatoriamente postas antes de Rosh Hashaná. Elas trazem uma das mitzvot mais importante da Torá, pela qual se faz sentido todo o discurso religioso. Traz Devarim 30:11:

Porque este mandamento, que hoje te ordeno, não te é encoberto, e tampouco está longe de ti.

Não está nos céus, para dizeres: Quem subirá por nós aos céus, que no-lo traga, e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos?

Nem tampouco está além do mar, para dizeres: Quem passará por nós além do mar, para que no-lo traga, e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos?

Porque esta palavra está mui perto de ti, na tua boca, e no teu coração, para a cumprires.

Ora, de que mandamento nos está falando a Torá? Se fosse de toda a Torá teria dito no plural, mas não, está específico. Está em nossa boca e em nosso coração para que a cumpramos. Ora, nem toda a Torá é suficiente com a boca e o coração. Por exemplo, se alguém faz a berachá dos Tefilin, tem toda boa e melhor intenção em seu coração, mas não os põe jamais terá cumprido com esta mitzvá. Ramban (Rabi Moshe ben Narchmânides) entende que uma vez não se tratando de toda a Torá ou do estudo da Torá, como pensam alguns, e porque os primeiros versículos se referem ao retorno a Hashem, este mandamento se refere a Mitzvá de Teshuvá.

Mitzvá Asse (mandamento positivo da Torá) a qual a cumprimos justamente com nossa boca e nosso coração. Como nos ensina Rambam (Rabi Moshe ben Maimônides) em Leis do Arrependimento: “Portanto, aquele que fere a seu amigo e causa prejuízo econômico, mesmo que pague o que lhe deve não lhe será expiado até que confesse e se não volte a fazer tal coisa nunca. Explica Rambam que a mitzvá de Teshuvá é composta da confissão e do compromisso de nunca voltar a cometer tal pecado (Leis do Arrependimento 3:1).

A estrutura do homem é composta desse dilema. O exterior do ser humano é ativo, se move todo o tempo. A cada momento estamos movendo nossa cabeça, braços e pernas. Mas nossos órgãos internos, por sua vez são estáticos, estão sempre no mesmo lugar. Assim, com a mitzvá de Teshuvá somos ativos e movemos nossos lábios e confessamos (Vaielech); em nossa mente e em nosso coração, por sua vez, somos estáticos (Nitzavim) e nos comprometemos em não pecar mais.

Que possamos estar encarando esse dilema de nossas vidas e passar um bom Rosh Hashaná com alegria e Teshuvá.

 

Shabat Shalom vechatimá tová.

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Categorias:emuná, Festas, Leis de Teshuvá, Parashá, Parashá com Rambam

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4 replies

  1. 🙏Shalom e Bom Dia Baruch HaSheMem muto bom estes estudo

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