YETZER HAR’A NA ESSÊNCIA HUMANA


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Nas duas parashiot Bereshit e Noach vemos como a humanidade foi gradativamente caindo até o ponto que não apenas D’us teria se arrependido de haver criado o homem senão que mesmo depois da redenção do dilúvio, o que seria uma espécia de recomeço e nova oportunidade, D’us mesmo diz que “a inclinação do coração do homem é má desde sua mocidade” (Bereshit 8:21).

Explicam os sábios que o significado de “desde sua mocidade” é que desde o ventre o homem possui más inclinações de forma que já nasce com tendências a afastar-se do caminho da verdade[1]. Se o homem já nasce com o yetzer har’a onde está então o yetzer hatov?

Explica Baar Haturim[2] que o homem foi formado com as duas inclinações, conforme se entende dos dois “yudim” que aparecem “desnecessariamente” na palavra vaitzer (Bereshit 2:7), cada yud corresponderia a uma inclinação. Dessa forma o homem carregaria dentro de si equilibradamente as duas tendências e caberia escolher por qual delas definir seus caminhos, conforme está escrito: “eis que ponho diante de vós, hoje, a bênção e a maldição”[3].

Bereshit 2-7

 

Contudo, Rambam entende a partir do ensinamento dos sábios que o yetzer har’a é o esperado ao homem neste mundo, como traz o pasuk em Bereshit “na porta jaz o pecado”[4]; explicam os sábios “quando sai do útero lhe espera o yetzer har’a[5]. O yetzer hatov, por sua vez, é em potencial, ou seja, o homem possui a capacidade de desenvolvê-lo gradativamente a medida que adquire conhecimento[6]. A boa inclinação começa a influenciar o homem tardiamente pois em relação à má inclinação ela é como um “jovem pobre porém sábio”[7].

Quando o homem adquire conhecimento sobre o certo e o errado, sobre a verdade da Torá e sobre a mentira deste mundo, pois como dizem os sábios vivemos em olam deshikra, lapida gradativamente suas qualidades e virtudes podendo eliminar completo suas falhas. Somente ao saber o que é

 

correto e o que é errado é que se pode escolher. Esta escolha se dá pelo poder de livre-arbítrio que o homem possui. O livre-arbítrio e as inclinações estão essencialmente conectados de forma que a falta de um inibe o outro.

Explica Rambam que todas nossas ações devem ser direcionadas para alcançar nossa elevação e aperfeiçoamento[8]. Isso inclui trabalhar tanto nosso yetzer hatov como também o yetzer har’a, como está escrito em Parashat Shem’a Israel: “e amarás a Hashem, teu D’us, com todo o teu coração”, ou seja, com estas duas inclinações[9]. Esta busca é o verdadeiro amor a D’us onde se entrega completamente para seu propósito.


[1] Talmud Yerushalmi Berachot 3:5

[2] Rabi Yaakov Bem Asher (1269-1340)

[3] Bereshit 11:26

[4] Idem 4:7

[5] Sanhedrin 91b

[6] Guia dos Perplexos 3:22

[7] Kohelet 4:13

[8] Shemona Prakim 5

[9] Mishná Berachot 9:5

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Categorias:Curiosidades, Guia dos Perplexos, Parashá, Parashá com Rambam

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