Maguen Abraham


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Três vezes por dia reza-se a amidá, reza obrigatória composta por dezenove bênçãos. Começamos esta prece recordando os patriarcas e sua relação com D’us quando dizemos Elohei Abraham, Elohei Ytzhak vElohei Yaakov e a encerramos com Maguen Abraham, que significa Escudo de Abraham. Qual a origem dessa expressão e o que ela significa para nós é o que iremos refletir no comentário da Parashá desta semana.

A expressão tem origem no pasuk da Torá que diz:

אַחַר הַדְּבָרִים הָאֵלֶּה הָיָה דְבַר ה’  אֶל-אַבְרָם בַּמַּחֲזֶה לֵאמֹר אַל-תִּירָא אַבְרָם אָנֹכִי מָגֵן לָךְ שְׂכָרְךָ הַרְבֵּה מְאֹד

Depois destas coisas, manifestou-se a palavra do Eterno a Abrão, na visão, dizendo: “não temas, Abrão, Eu te amparo, teu prêmio é muito grande”. Bereshit 15:1

Qual o temor de Abraham para que viesse a receber de Hashem proteção e a confirmação de sua recompensa?

A vida é cheia de desafios. Nos esforçamos a cada dia para vencer cada obstáculo que encontramos no caminho que nos leva a nossa satisfação. Reuven, vendedor de seguros, trabalhava suas oito horas diárias e cumpria, na medida do possível, suas metas mensais. Certa vez o departamento de vendas estimulou o aumento das metas por meio de um prêmio. Quem conseguisse dobrar a meta receberia bônus no salário e uma viagem de fim de semana por conta da empresa. Reuven ficou muito interessado mas tinha a certeza que lhe seria impossível pois com muita dificuldade conseguia atingir as metas mensais atuais, mas mesmo assim se esforçou.

O gerente de vendas constantemente visitava a mesa de Reuven e o ajudava a fazer contatos com os clientes e a fechar o contrato de novas apólices. Chegando o fim do mês Reuven não pode crer que ele conseguiu não apenas dobrar suas vendas mas também superar os demais e ser o melhor vendedor daquele período. Seu gerente o chama ao seu escritório. Chegando lá o gerente o parabeniza pela conquista e Reuven começa a se desculpar:

– Não senhor, não conquistei nada. Se não fosse por sua ajuda creio que nem teria atingido a meta mensal. Não venho reclamar o prêmio pois não me é cabido.

– Do que você está falando? – retrucou o gerente – eu o ajudei assim como ajudei a todos os demais. O prêmio é seu e é merecido! Vá, descanse que no próximo semestre terá que cumprir a nova meta de 30% adicional.

Explicam os sábios que Abraham estava temeroso porque em tudo Hashem o havia ajudado com milagres. Se perguntava Abraham: “desci à fornalha e de lá me salvaste, desci a lutar contra reis e de lá me salvaste, acaso recebi minha recompensa neste mundo e não terei nada no mundo por vir?”[1]

13-Akbar-ShieldQuando alcançamos um objetivo ou meta é comum pensarmos que já cumprimos com o nosso dever. Temos que ter em mente que cada passo dado é o preparativo para o próximo passo a ser dado. Nossa vida não termina aqui, ela segue no mundo vindouro. E em todo o tempo que estamos neste mundo as oportunidades estão a nossa disposição.

Explica Rambam: “Oportunidade é dada a cada homem. Se quer seguir pelo bom caminho e ser tzadik, a oportunidade está em sua mão. E se quer seguir pelo mau caminho e ser perverso, a oportunidade está em sua mão”[2]. Não se pode dizer que D’us cria cada um predestinado a ser bom ou mal. O que falamos em Parashat Noach (acesse-a clicando aqui) sobre o homem nascer com o yetzer har’a refere-se a sua inclinação para o mal, mas não que o seja de fato. Tudo depende de nossas escolhas.

Abraham creia que por antes haver praticado idolatria sua recompensa seria apenas neste mundo, ou seja, não teria mérito de estar ao lado dos justos. Mas não é assim. “Não pense o homem que tenha feito teshuvá (se arrependido de seus erros) que está longe do nível dos justos por causa dos pecados e transgressões praticadas. Não é assim. Pelo contrário, amado e gracioso o é perante o Criador como se nunca houvesse pecado”[3]. Todo aquele que domina suas inclinações e lapida seus tributos e qualidades, independente do que tenha feito no passado, é aproximado à shechiná, como está escrito: “quando regresse Israel, diz Hashem, a Mim regressará”[4].

Abraham não apenas lutou contra a inclinação na qual nascera, a idolatria, mas lutou contra o paradigma estabelecido por sua sociedade sendo inclusive penalizado à morte, da qual foi salvo por um milagre. Como diz Rambam, certamente que Abraham foi ofendido, amaldiçoado, perseguido, recriminado, etc. Não há o que discutir de sua grandeza e muito menos de sua humildade. Por enfrentar toda a sociedade em busca da verdade, do D’us verdadeiro, o mesmo D’us o abençoa com a proteção e lhe diz: “abençoarei os que te abençoarem, e aqueles que te amaldiçoarem, amaldiçoarei (Bereshit 12:3)”[5].

Esta proteção se estende a todo Am Israel e é recordada três vezes por dia não apenas para que saibamos o quanto somos amados pelo Criador, mas que também a nós nos cabe o trabalho de controlar nossas inclinações e lapidar nossas qualidades e virtudes.


[1] Bereshit Rabá

[2] Leis do Arrependimento 5:1

[3] Idem 7:4

[4] Yermiá 4:1

[5] Guia dos Perplexos 3:29

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Categorias:Curiosidades, Parashá, Parashá com Rambam

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2 replies

  1. Mto bom texto queria receber mais estudos . shalom

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