Da Competição à Compreensão


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Rambam colecionou alguns rivais por causa de seus escritos. Poucos se levantaram contra algo que tenha legislado no Mishnê Torá, porém contra sua obra célebre Guia dos Perplexos e Sefer Hamadá, no Mishnê Torá, rabenu se deparou ainda e vida com uma parede de rejeição que atravessou séculos chegando até mesmo nos dias atuais.

Dentre os aversos à teologia de Rambam podemos destacar dois: Rabi Moshê ben Nachmânides, Ramban, que por ironia do destino muitas vezes é confundido com Maimônides pela semelhança entre seus acrósticos. O segundo seria Rabenu Ioná de Gerona.

Nascido na cidade catalã de Gerona no século XIII foi aluno de Rabi Shlomo min Hahar, Rabi Shaul ben Shineur (Senior) e de Ramban, seu primo. Rabenu Ioná foi comentarista do Talmud trazendo sua interpretação e esclarecimento a vários tomos, contudo se preservou a nossa geração apenas seu comentário ao tomo de Baba Batra. Também comentou as leis de RIF, Rabi Itzhak Alfasi. Foi mestre de rabinos importantes como Rashba, Rabi Shlomo ben Abraham aben Aderet, mencionado e elogiado na introdução do Shulchan Aruch por Rabi Iosef Caro. Escreveu livros de halachá e de mussach (comportamento) que são referência e estudados em nossos dias.

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Porém de toda a história de Rabenu Ioná de Gerona e de todo o legado que nos há presenteado é impossível passar despercebido sua posição a respeito dos escritos de Rambam, em especial sua rejeição à obra Morê Nevuchim, Guia dos Perplexos. Rabenu Ioná era membro de um colégio rabínico em Sefarad, Península Ibérica, que no século XIII se levantou duramente contra o estudo da filosofia.

As comunidades judaicas da conhecida “era de ouro” de Andalusia, onde baixo o domínio árabe a região teve uma grande evolução do conhecimento, estavam experimentando um ambiente novo de acessibilidade ao conhecimento que nunca fora visto antes. Tanto judeus comos cristãos e mulsumanos estavam compartilhando conhecimento e cultura que promoviam o surgimento de novas artes, ciências e literatura. Nesta época até o sapateiro era poeta.

Neste ambiente a comunidade judaica ibérica encontrou um problema que praticamente o conhecia apenas nas histórias de Chanuká, a assimilação. Rabi Yehudá Halevi, autor do Cuzari, escreve esta obra como contribuição à luta contra a assimilação vivida em seu tempo. Nela explica as percepções religiosas das duas religiões dominantes em Andalusia e também a compreensão da filosofia sobre o tema e, no corpo da obra, defente a fé judaica explicando os pontos de dúvida mais comuns em sua época. Tudo isso porque havia uma evasão muito grande de membros da comunidade judaica para aceitar a fé cristã ou mulsumana ou até mesmos tornarem-se “apicoros” ao adotar a filosovia como sua única fonte de conhecimento pleno.

Por caua dessa assimilação que rabinos sefarditas se levantaram duramente contra a filosofia desde o século XII até nossos dias. Nesta postura contra a filosofia é que encontramos a rejeição do Guia dos Perplexos. Até hoje os estudiosos desta obra e os pesquisadores se divergem em como catalogá-la, se se trata de uma obra filosófica ou não e se a teologia de Rambam está baseada na filosofia de Aristóteles. Na época de Rabeno Ioná parecia que não haviam dúvidas.

Nachmânides, Ramban, começa seu comentário da parashá Vaerá justamente se posicionando contra a alegação de Rambam no Guia dos Perplexos de que o relato da visita dos três anjos e a destruição de Sodoma e Gomora não se dá no mundo real, senão que em um sonho ou visão. Conceitos ensinados no Guia dos Perplexos de que a profecia, com exceção de Moshê Rabenu, era recebida unicamente por meio de sonhos e visões, de que a perfeição do homem se dá por meio da elevação de seus conhecientos, que o mundo poderia ter sido pré-existente a criação e a aceitação da filosofia clássica são os principais pontos de discordância entre Rambam e seus opositores.

Esta oposição foi tomando força a ponto de que no ano 1232 Rabi Shlomo min Hahar juntamente com seus alunos Rabeno Ioná e Rabi Shaul ben Shineur emitiram uma carta aos rabinos de Montpellier, sul da França, decretando “cherem” (excomunhão) aos escritos de Rambam, o que provocou que um ano depois se conseguisse fazer com que a Igreja queimasse os escritos de Maimônies. O que não se esperava era que juntamente com os livros de Rambam os cléricos também lançaram à fogueira recopilações do Talmud que tinham em mãos.

322Conta-se que Rabenu Ioná ao ser sabedor do fato entrou em profundo remorso e arrependimento. Ele teria entendido que a queima do Talmud demosntrara que seus atos estavam errados e que não foram aceitos pelos céus. Arrependido, teria viajado a Tiberíades até o túmulo de Rabi Moshê ben Maimon para pedir perdão pela queima de seus livros.

Esta mancha na história dos sábios de Israel nos ensina que não podemos exaltar nossas discordâncias acima do respeito merecido a cada ser humano. A não aceitação de uma idéia, pensamento ou teologia não precisa vir acompanhada pela violência, seja verbal ou prática, pois isso conduz à intolerância.

Rabenu Ioná escreveu uma das principais obras de orientação ao arrependimento e correção de nossas ações e caráter chamada “Shaarei Teshuvá” (Portais do Arrependimento / Retorno), há quem diga que a escreveu como forma de exipação pela queima dos livros. Encerro esse artigo com as primeiras palavras de sua obra Shaarei Teshuvá, Primeiro Portal:

“Das bondades que beneficia Hashem, bendito Seja, sua criação, está a de provê-lhes a forma de como se levantar de suas más ações e de fugir da prisão de seus crimes, retirando deles sua ira e os ensinando e os trazendo de volta a si, pois pecaram, por sua grande bondade e se concertarão, pois Ele conhece suas inclinações; como está escrito: “Bom e Reto é Hashem que ensina o pecado em seu caminho” (Salmos 25:8)

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Categorias:Biografia, Curiosidades, emuná, Guia dos Perplexos, Mishne Torá

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