A bênção de Yaakov


 Na Parashat Toldot encontramos um pouco da história de Itzhak avinu mas logo segue a Torá a nos contar a história da vida de Yaakov, seu filho, o protagonista do livro de Bereshit. Yaakov protagoniza este livro porque ele é a semente prometida a Abraham da qual se fará a promessa da entrega da Terra de Canaã e de quem se formará o povo que estaria incumbido a guardar e anunciar a Torá.

Contudo, a vida de Yaakov começa conturbada por uma série de problemas desde quando ainda estava na barriga de sua mãe, havendo aí uma disputa com seu irmão Esav. No decorrer da história vemos que a disputa entre os irmãos cresce e Yaakov parece usar de métodos pouco convencionais para vencer seu irmão e conquistar a primogenitura. Isso nos faz questionar onde estaria a kedushá (santidade) dos patriarcas e do povo hebreu se a geração dessa nação começa por meio de mentiras e usurpação. Seria Yaakov um usurpador? Ou usando o termo comum em nossos dias: seria Yaakov um golpista?

Antes mesmo de entrarmos nestas questões devemos ter em mente que tudo que acontece no mundo, seja de bom ou de mal, vem da vontade de Hashem. E no que se refere ao povo hebreu absolutamente nada acontece sem o direto desejo de Hashem. Com está escrito:

יוֹצֵר אוֹר וּבוֹרֵא חֹשֶׁךְ עֹשֶׂה שָׁלוֹם וּבוֹרֵא רָע אֲנִי יְהוָה עֹשֶׂה כָל אֵלֶּה

Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu sou Hashem, faço todas estas coisas.

Yeshaiahu 45:7

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Quando se trata de Am Israel a supervisão divina (hasgachá) é mais íntima pelo fato de ter alcançado o conhecimento da verdade graças a Abraham avinu (Rambam, Leis de Idolatria 1:2-3). Portanto, o que vemos nesta parashá nada mais é do que a vontade divina sendo revelada e posta em prática.

Antes de se dizer que Yaakov roubou a primogenitura devemos nos recordar que antes de seu nascimento havia uma profecia onde dizia:

E lhe disse Hashem: duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas, e um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá ao menor.

Bereshit 25:23

Esta profecia deverá ser cumprida haja vista que “D’us não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que Se arrependa; se disse Ele, não o fará? E tendo falado, não o cumprirá? (Bamidbar 23:19). Geralmente quando se fala de profecias as pessoas esperam que elas sejam cumpridas de forma milagrosa com grandes sinais e efeitos especiais como nos filmes de Hollywood. Crer por meios de milagres é o mais baixo nível de fé que alguém pode ter. Os patriarcas estavam no mais alto nível de emuná (fé) e por isso que não vemos grandes milagres nos relatos da Torá sobre eles, mas sim profecia (diálogo), o que testifica sua emuná.

As profecias não necessitam ser cumpridas com efeitos especiais. O cumprimento das profecias parte primeiramente de nossa busca pelo crescimento espiritual seguida pelo interesse que tais profecias se cumpram e por nossas ações em prol de seu cumprimento. Hashem nos dá ferramentas e nos possibilita os meios para que cumpramos as profecias como está escrito em Yermiahu 16:14-16. Jamais se cumprirá a profecia da gueulá se os judeus não vierem para Israel. Nunca se construirá o Templo se nós não o fizermos.

Vemos a forma como cada um dos filhos de Itzhak conduziram suas vidas e quais eram seus objetivos. Enquanto que Esav buscava o material por meio da caça, das mulheres e da comida, Yaakov era um jovem puro e de casa (casa de estudos). Yaakov buscava o espiritual e conectar-se a Hashem. Explicam os sábios que Yaakov “habitava as tendas”, ou seja, frequentava as tendas de Shem e Ever para estudar sobre a revelação e os desígnos divios até então revelados.

Sendo assim Yaakov avinu sabendo de sua função e da profecia de que seu irmão o serviria e de que ele em si era o primogênito e não Esav, fez questão de deixar isso claro a seu irmão. Não que necessitasse comprar a primogenitura, mas para que Esav estivesse consciente que ela não o pertencia e nem mesmo a ele lhe importava (Bereshit 26:32), que o mundo que ele escolhera era o material e não o espiritual.

O momento mais dramático desta parashá é o engano de Ytzhak e a troca das berachot. Rivká escutando que Itzhak pretende abençoar a seu filho Esav, se adianta para garantir a berachá para Yaakov. Como foi ela quem recebeu a profecia de que o maior serviria o menor, ela temia que Itzhak mudasse isso com sua berachá. A pergunta é: se isso seria possível. Claro que não! Portanto houve uma precipitação por parte de Rivká o que resultou no erro de Yaakov em enganar a seu pai em busca da berachá de seu irmão (Bereshit 27:35)? Possivelmente.

Sabemos que as berachot vêm de Hashem e que nós somos apenas canais para sua recepção e transmissão. Dessa forma Itzhak abençoa a Yaakov, mas a berachá vem de Hashem. Por isso nesta berachá se diz “sê senhor de seus irmãos, e reverenciem os filhos de tua mãe” (27:29), coisa que não se poderia dizer a Esav devido a profecia de que o maior serviria o menor.

A Berachá que Itzhak queria dar a Esav não era a berachá dos Patriarcas (Bircat Avot), pois ele sabia que não lhe correspondia. Itzhak também sabia da profecia de que a primogenitura seria concedida ao menor. A Berachá que Yaakov tomou era puramente material, pois era a Bircat Haparnasá (Bênção do Sustento) que Yaakov tinha reservada. Porém a berachá que Esav queria era a de dominar seu irmão, por isso que questionado se tinha uma berachá para si, Itzhak diz que já colocou Yaakov como senhor sobre ele, e o abençoou com bênçãos materiais. Mas “Bircat Avot“, que é a bênção do primogênito, Itzhak só entrega a Yaakov depois desse evento quando seu filho deve deixar a terra de Canaã para fugir da ira de seu irmão e buscar casar-se com mulheres da família, como ordenou Abraham.

Portanto, se lemos a parashá com atenção vemos que Itzhak sabia muito bem o que estava fazendo e não estava sendo enganado, afinal ele mesmo disse: a vóz, vóz de Yaakov, as mãos, mãos de Esav. Poderiamos entender dessa expressão: as intenções são como de Yaakov, mas a forma em que está fazendo é como Esav. A berachá que determina quem levaria o legado de Abraham só é dada depois do episódio do “engano”.

Devemos sempre buscar os desígnios divinos e nos orientar segundo a vontade divina revelada na Torá. Porém devemos ter o cuidado de não colocar o carro diante dos bois para não cometer o mesmo erro de Rivká e Yaakov. Mesmo que sobre nós está a possibilidade do cumprimento das profecias devemos ser cautelosos. A forma de se fazer cumprir as profecias é se dedicar à Torá hakedushá. Quando nos dedicamos a ela e estamos ocupados nela Hashem manipulas as circunstâncias para que se permita o cumprimento das profecias de forma natural porém elevadas o suficientes para que possamos reconhecer a mão de Hashem nos feitos e perceber qual o momento exato em que nós devemos agir.

 

Shabat Shalom.

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Categorias:Parashá com Rambam

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