Mishkan Pessoal


Ark of the Covenant

Hoje vamos falar sobre a relação progressiva em via de mão dupla com base na fluência: Macro – Micro e Externo – Interno.

Começando com a parashat Terumá até o fim do livro de Shemot com parashat Pekudei a Torá dedicará 5 parashiot, 450  versículos, para tratar da construção Mishkan. O mishkan, que era o protótipo do Templo que viria ser construído em Jerusalém, tinha a função de guardar as tábuas da Lei, receber a manifestação e revelação divina, ser o lugar onde se concentrariam todos os sacrifícios, e também ser o lugar onde a vontade de D’us se faria conhecida uma vez que daí se determinaria qual seria a lei para novas ocorrências que viram a surgir.

Certamente que os sacríficos e os rituais têm seu lugar, contudo, vemos que a função principal do Mishkan é a revelação de D’us. O lugar mais reservado, o Santo dos Santos, onde o Cohen Gadol só poderia entrar uma vez por ano, era destinado para guardar o testemunho da manifestação divina onde estariam guardados as Tábuas da Lei escritas por Moshe, o Sefer Torá ordenado por D’us a Moshe e a vara de Arão. Estes três objetos testemunham a presença de Hashem com o povo de Israel e estavam guardados na Arca da Aliança.

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Com a finalidade de guardar este testemunho foi que Hashem ordenou a construção do Mishkan. Contudo, o Mishkan em si não é mais eficiente em testemunhar a existência de D’us do que nós mesmos. Hakadosh Baruch Hu nomeou a todo o povo de Israel como “povo santo e reino de sacerdores”[1]. Dessa forma temos a santificação de todo um povo, a partir dele a santificação de uma tribo, Levi, e desta a santificação de uma família, a de Arão. E dentre os filhos de Arão, os cohanim, temos a santificação de um único homem para que seja Cohen Gadol, sumo sacerdote.

Da mesma forma no espaço temos a santificação gradativa: Terra – Israel – Sião – Jerusalém – Har Habait (Moriá) – Templo – Santo dos Santos. O mesmo se aplica ao tempo: Ano – Meses – Semanas – Shabat. Colocando a parte técnica de lado, qual a influência desses conceitos em nós?

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De forma geral e costumeira focamos no principal como fonte ativa e emissora e o periférico como fonte passiva e receptora. Exemplos:

  • O professor não veio, não tem aula.
  • Reza-se Shabat, os demais dias já não são essenciais.
  • Quem tem que saber a halachá? O Rabino.
  • Onde usa-se a kipá? Na sinagoga.

Ao focarmos que o ponto principal é a força que influencia os elementos periféricos esquecemos que são estes que convergem significado e importância ao ponto principal. Ou seja, o Templo influencia a devoção do povo e o estimula à vida devocional da mesma forma que a vida devocional do povo justifica a existência do Templo. Testemunhado como a maior construção de seu tempo, o Segundo Templo não se manteve em pé porque o povo, ainda que guardando Torá umitzvot, não pode amar uns aos outros[2]. É a convergência do interesse do povo que faz com que o Templo, a sinagoga, o rabino e o professor sigam existindo. Nos traz o profera Yeshayahu:

De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o Senhor? Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; nem me agrado de sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecer perante mim, quem requereu isto de vossas mãos, que viésseis a pisar os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembleias; não posso suportar iniqüidade, nem mesmo a reunião solene. As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as odeia; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer. Por isso, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer mal.

Aprendei a fazer bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas. Vinde então, e argüi-me, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã. Se quiserdes, e obedecerdes, comereis o bem desta terra. Mas se recusardes, e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; porque a boca do Senhor o disse. Yshayahu 1:11-20

A principal ferramenta para a correção dos caminhos do homem é a Torá. Por meio dela conhecemos as leis pelas quais endireitaremos nossa vida e nossa sociedade para alcançar a elevação espiritual para alcançar o Mundo Vindouro. Contudo, ninguém pode chegar à Torá se não tiver o potencial para lapidar suas qualidades. A humanidade não pode recebê-la no momento da criação, nem com Abraham, pois ainda não estava pronta para isso. Por isso nos ensina um midrash que apenas depois de passadas 26 gerações se pode receber a Torá, como está escrito em Bereshit 3: “guardar o caminho da árvore da vida”[3].

Quando planejamos a construção de uma casa a primeira coisa a ser levada em consideração é o espaço a ocupar no terreno. Isso nos leva a primeiro ter uma visão externa e a partir daí adaptar os cômodos. Como vimos que o ponto central é a fonte para os elementos periféricos e estes são a fonte de significado do ponto central, agora podemos entender porque na ordem de construção segue justamente o oposto. A primeira coisa a ser ordenada é a construção da Arca onde seriam guardados os Testemunhos.

Aqui é onde entendemos que o trabalho interno deve vir antes do trabalho externo. Antes de Moshe subir ao Monte Sinai por 40 dias para receber toda a Torá, entregou ao povo as leis básicas para a boa manutenção das relações sociais, vimos isso em Parashat Mishpatim. Como diz o ditado: “Derech Eretz precede à Torá”; na literatura de chazal: “Rabi Elazar ben Azaria disse: Se não há Torá, não há derech eretz (conduta social adequada); se não há derech eretz, não há Torá”[4].

A Torá é a primeira a ser guardada no íntimo do Santuário e a partir daí tudo o que se constrói externamente é para guardar e dar significado para ela que está lá dentro. Assim também é em relação a nós mesmos. Nossas ações e nossa aparência devem dar significado ao que levamos dentro de nós. Assim como de nada serve vestir-se de branco e preto, usar chapéu e dar tzedaká se não leva a Torá dentro de si, também não tem valor ser dotado de conhecimento quando suas ações e sua apresentação não valorizam.

Muita gente quando decide mudar de atitude em algum aspecto de sua vida que não lhe parecia bem, a primeira coisa que faz é uma mudança estética. A exemplo disso é uma pessoa deprimida que toma como primeira atitude de mudança de sua situação dizer que está bem.

Pra que construamos nosso Mishkan Pessoal devemos trabalhar primeiramente nossa parte interna concertando nossas boas qualidades e habilidades. Esse é o nosso principal dever[5]. Para concertar nossa alma está a Torá a qual deverá ser guardada em nosso íntimo.


[1] Shemot 19:6

[2] Bavli – Yomá 9b

[3] Vairkra Raba 9:3

[4] Pirkei Avot 3:17

[5] Rambam, Shemona Prakim

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Categorias:Curiosidades, Parashá com Rambam

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