Tazri’a Metzor’a


1-1

A Torá segue nesta parashá os temas de pureza que começaram no final de parashat Shemini e que seguirá com a parashá Metzor’a. Em três âmbitos nos são apresentadas as leis de pureza.

O primeiro é no que se refere ao alimento. Aprendemos na parashá passada quais tipos de animais nos estão permitidos para o consumo e quais nos são impuros. A Torá é muito clara em suas palavras em nos ensinar que a proibição de se alimentar de animais não ruminantes, ruminantes sem pata fendida, rapineiros, peixes sem escamas, vermes e insetos é por pureza, e não por saúde ou por limpeza. Muitos fazem uso equivocadamente das palavras de rabenu para dizer que as leis de kashrut são por questões de higiene, chegando ao absurdo de anular a Torá ao dizerem que hoje tais leis não seriam obrigatórias porque os alimentos, e os animais, são manuseados e tratados com altos níveis de higiene que não haviam nos tempos da Torá. Tal argumento não tem qualquer fundamento e é usado apenas para justificar sua falta de interesse em guardar a Torá.

É certo que Rambam trouxe uma explicação sobre os animais impuros dizendo serem sujos, de difícil digestão ou que podem provocar doenças. Porém, rabenu nos deixa claro que essa não é o motivo real da proibição, mas sim um acréscimo que ele traz, na condição de médico, explicando os malefícios desses animais para o consumo humano. Como traz no Guia dos Perplexos:

“Eles [os mandamentos do grupo 13], os quais são enumerados nas leis de alimentos proibidos, Shechitá (abate), promessas e nezirut. Já explicamos nesta obra e na explicação sobre [a Mishná] Avot sobre os benefícios desse grupo em palavras específicas e muito claras”[1].

O segundo tipo de pureza a ser abordado nesta parashá é a pureza humana, a qual está dividida em: fluxo das mulheres, ejaculação masculina e tzara’at. Essas impurezas tinham suas abrangências completas quando o Templo, ou o Mishkan, estavam presentes, pois tais impurezas dependem dele para fazer valer suas restrições.

Porém no caso das mulheres a impureza possui uma dupla abrangência: o Templo e as relações conjugais. Em nossos dias onde não temos o Templo não nos acostumamos a nos cuidar das impurezas relativas a ele a não ser lembranças delas. Dessa forma não há qualquer razão para evitar sentar no mesmo lugar que uma mulher que teve seu período, ou não receber nada de suas mãos. Hoje estamos todos impuros e não faz qualquer diferença se alguém se cuida ou não nesses aspectos, coisa que só traria mal estar para as mulheres, principalmente.

Sobre as mulheres e suas purificações explica Rambam:

“Já explicamos que parte dos objetivos das mitzvot haEL entregues a Moshê eram para liberar e eliminar de uma fé equivocada e de costumes que estavam enraizados no povo por causa dos povos que estavam inseridos nele. As mulheres em seu período eram tidas como capazes de provocar o mal. Elas eram isoladas da comunidade e ficavam em casa sozinhas. Todas as roupas ou utensílios que elas tocavam eram queimados. Se tinha cuidados com sua respiração, unhas e cabelos que cortassem eram queimados. Esta era uma forma de vida insuportável, onde todos se comportavam assim com base a uma crença equivocada… Dessa forma direcionou a Torá a impureza da menstruação apenas para a questão do Templo e quanto ao comer das oferendas, não sendo a vida secular afetada. Como disseram os sábios: todos os trabalhos que uma mulher faz para seu esposo a que está em nidá também os fará, com exceção de lavar-lhe o rosto[2][3].

Quando a Tzara’at ela afeta em dois âmbitos: o humano e o material (que seria o terceiro). Como sabemos e estamos acostumados a estudar todos os anos esta enfermidade que podia se estender desde a casa e utensílios até o próprio homem era o resultado de pecados como o Lashon Hará[4]. Porém longe de ser uma punição. Sabemos que Hashem nos impõe os mandamentos com base em punições haja vista que se assim fosse e a cada pecado cometido recebêssemos uma punição o homem estaria servindo a Hashem por medo e nunca por amor. O serviço divino deve ser executado com amor e com um coração dado[5].

Então porque o Tzara’at? Para nos educar[6]. Por isso que esta enfermidade começava primeiramente na casa e logo nos utensílios e só depois era que poderia chegar ao indivíduo. Todo o tempo o homem tinha a oportunidade de se arrepender de seu mau comportamento e fazer Teshuvá.

Shabat Shalom


[1] Guia dos Perplexos Parte 3, Capítulo 48

[2] Talmud, Ketubot 4b

[3] Guia dos Perplexos Parte 3, Capítulo 47

[4] Talmud Arachin 15b;17a

[5] Leis Teshuvá Capítulo 10

[6] Guia dos Perplexos Parte 3, Capítulo 47

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Categorias:Curiosidades, emuná, Guia dos Perplexos, Parashá com Rambam

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