Shoftim – Objetivo da Tora


2-d7a6d799d79cd795d79d-d79ed7a9d798d7a8d7aa-d799d7a9d7a8d790d79c-e1504685635405Até o momento neste segundo discurso de Moshe, foram relembrados mandamentos individuais em sua maioria, e os relacionados às festas. Nesta parashá direciona-se o discurso aos líderes do povo: Juízes, Policiais, Cohanim, Levitas, Rei e Profeta. Depois desses mandamentos se ordenará a todo o povo sobre cidades de refúgio e sobre as guerras.

“Juízes e policiais designarás para ti em cada uma de tuas tribos em todas as tuas cidades que o Eterno, teu Deus, te dá, e julgarão o povo com reto juízo”[1].

Claro que sabemos que a história de Am Israel depois que entrou em Canaã esteve longe de ser um conto de fadas no paraíso. Mas quando lemos o relato da saída do Egito e seguimos a leitura até o fim do livro de Devarim, imaginamos que esse seria o ideal. Até que chegamos ao mandamento de nomear juízes e policiais onde entendemos que a redenção do Egito não foi definitiva e completa. Então nos perguntamos por que tem que ser assim? Com todos os milagres feitos nesses quarenta anos por que não chegar à perfeição e já não mais ter que viver em exílios, doenças, desastres etc?

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Nos diz a Torá: “se ouvires atentamente a voz do Eterno, teu Deus, fizeres o direito a Seus olhos, escutares Seus mandamentos e guardares todos os Seus estatutos, toda enfermidade que enviei aos egípcios não porei sobre ti, pois Eu sou o Eterno que te cura”[2]. Sendo assim, que o povo fosse obediente e já, pois a Torá é “naasê venishmá” (faremos e ouviremos).

Pois bem, esse sim seria o ideal que todo o mundo inteiro acreditasse em Deus e somente a ele prestasse culto e guardasse suas leis, mas a verdade é que esse não é o propósito de Deus. As vezes nós mesmos nos comportamos dessa forma egoísta e narcisista em que exigimos que os demais façam como nós queremos, como nós achamos que é certo, segundo nossas crenças, inclusive que nos ame da forma como queremos ser amados. Nem Deus espera isso da humanidade. Para uma obediência cega há os anjos.

O propósito divino parece ser bem diferente do que escutamos aqui e alí. Deus poderia haver impedido que Adam Harishon comesse do fruto proibido e caísse de seu nível espiritual derribando com ele todo o mundo. Também poderia ter entregue a Torá a Abraham e desde aí estabelecido sua lei no mundo. Enfim, apesar das muitas cogitações, de fato devemos tentar entender qual o propósito da entrega da Torá para aqueles que não a cumprirá (pois se realmente foram cumprir não se necessitaria juízes e policiais).

Primeiro temos que entender que a revelação divina é gradativa. Todo essa história de que pessoas escutam a voz de Deus, ou o vêem, são levadas ao paraíso e tal, não passa de papo furado. A maioria mentira elaborada para fins lucrativos e o demais fruto da imaginação. A prova disso é que com tantas revelações absolutamente NADA muda nem na vida dessas pessoas e nem na sociedade que a cerca. Trago essa questão aqui para dizer que a humanidade não está pronta para esse tipo de revelação, nunca esteve e nunca estará.  Deus foi se revelando paulatinamente desde Adam Harishon, e vem se revelando também em nossos dias. Mas a cada geração a revelação atende as necessidades e as debilidades perceptivas (cognitiva) da humanidade.

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Deus não escolhe a Abraham para revelar sua verdade por acaso, mas porque Abraham foi capaz de entender que Deus não pode se limitar a esculturas e a formas humanas e nem por eles ser representado é que lhe deu as condições intelectuais para receber a revelação. Toda a revelação tem apenas um propósito: o de conhecer a Deus e sua unidade[3]. Como está escrito: “a ti foi mostrado para que soubesse que o Eterno, Ele é o Deus, e não há outro fora dele… E saberás hoje, e considerarás no teu coração, que o Eterno é Deus; em cima nos céus e embaixo na terra não há nenhum outro”[4].

A Torá, como revelação maior, não foge a este propósito. Seus mandamentos existem para nos auxiliarem no entendimento da verdade, no entendimento de Deus. Conhecer a Deus é o objetivo! Mas nada pode ser de forma brusca. O conhecimento é transmitido conforme a capacidade cognitiva de cada um. Assim como a uma criança não se ensina a escrever sem antes ensinar a falar, também ao homem não foi revelada a divindade de forma maior e plena sem antes lhe ensinar a crer. Os mandamentos não são uma fórmulas de leis de imposição da autoridade divina ou dos sábios, como muitos pensam. Mas é a forma pela qual desenvolvemos nossa capacidade de crê. Não se cumpre os mandamentos por força da imposição e pela obrigação, mas porque se crê que a Torá é verdadeira e nos revela a vontade divina. Unicamente dessa forma é que se pode servir a Deus de todo o coração[5].

Então cabe a pergunta: Se o serviço divino deve ser feito de coração e com amor, como está escrito: “e amarás ao Eterno, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força”[6], por que nomear juízes e policiais e punir o povo com penas capitais?

Quando educamos nossos filhos nos vemos na necessidade de usar a metodologia de recompensa e castigo. O método, no qual o uso da força não é a única e nem a melhor forma, é eficaz porque trabalha em um ponto natural da essência humana: o instinto de sobrevivência e de liberdade. Ninguém quer ser privado ou limitado de sua liberdade, seja ela qual for, pois transmite o sentimento vulnerabilidade aos desejos de outrem. A Torá tem um objetivo secundário que é o de aperfeiçoar a sociedade e o homem por meio do conhecimento da verdade e pelo uso correto dos recursos disponíveis neste mundo[7]. E como regulador da sociedade, necessita de punições para que se desperte no homem seus instintos de sobrevivência e o permita escutar as orientações da Torá, mesmo que inicialmente o faça por auto-preservação.

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Portanto, para que Am Israel pudesse viver em sociedade se faz necessário que hajam regras e com as elas as punições para que se mantenha a estabilidade social. Como está escrito: “a mão das testemunhas será primeiro contra ele para matá-lo, e depois a mão de todo o povo. E assim exterminarás o mal do meio de ti[8]. Embora tenha trazido este passuk como referência, é bom ficar claro que no tempo do Segundo Templo as penas de morte não eram algo fácil de acontecer. Com o passar do tempo os sábios foram adicionando regras para validar as testemunhas de forma que ficava quase impossível condenar alguém a esta penalidade. Até que os sábios invalidaram esta forma de castigo[9].

Portanto, os que dizem que a Torá foi substituída ou que suas leis são antigas e que devem ser adaptadas para nossa época não foram capazes de entender o propósito da Torá e querem adaptar as leis conforme seus interesses. Quando se adquire a fé verdadeira em Hashem, advinda pelo estudo da Torá e seu entendimento, já não se tem os olhos na recompensa do Mundo VIndouro ou o medo do castigo, mas serve a Deus por crer que essa é a forma correta de viver. Como está escrito na sabedoria dos sábios: “Antígono de Sochó, recebeu [a tradição oral] de Shimon o Justo. Ele costumava dizer: Não sejam como os sevos que servem a seu amo apenas com o intuito de receber a recompensa; mas sim, sejam como os servos que servem a seu amo sem o intuito de serem recompensados; e que o temor dos [que habita nos] Céus paire sobre vocês”[10].

Ninguém vem a este mundo destinado ao Mundo Vindouro ou a ter seu nome apagado. A Todos nós nos é dada a oportunidade de escolher nos aproximar a Deus ou nos afastar dele[11]. Cabe a nós fazer uso de nossas capacidades e dominar nossas inclinações para alcançar nossos objetivos[12]. Pois Deus jamais fará mudará a natureza do homem de se rebelar[13]. Como está escrito: “quem dera que eles tivessem tal coração para que me temessem e guardassem todos os meus mandamentos todos os dias, para que bem lhes fosse a eles e a seus filhos para sempre”[14].


[1]Devarim 16:18

[2] Shemot 15:26

[3] Guia dos Perplexos 3:32

[4] Devarim 4:35,39

[5] Shemot 11:13

[6] Devarim 6:5

[7] Idem 3:33

[8] Devarim 17:7

[9] Ketubot 30a

[10] Pirkei Avot 1:3

[11] Mishne Torá, Leis do Arrependimento Capítulo 5

[12] Shemona Praquim 8

[13] Guia dos Perplexos 3:32

[14] Devarim 5:26

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Categorias:Curiosidades, emuná, Guia dos Perplexos, Parashá, Parashá com Rambam

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