A Geração do Dilúvio


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Há muitas opiniões no judaísmo sobre qual seria o pecado de Adam e Chavá. Uns dizem que foi a relação sexual sem santidade, outros dizem que foi o ato em sim de comer do fruto da árvore que lhe estava proibida, ou por fazer interpretações do mandamento em busca da possibilidade de comer do fruto sem punição. Rambam, no segundo capítulo do Guia dos Perplexos, nos ensina que o pecado de Adam foi desviar sua atenção do santo e puro para o trivial e fútil. Isso se deu quando o homem trocou o conhecimento da verdade e da mentira pelo conhecimento do que é bom e mal. Trocou a objetividade pela subjetividade.

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Enquanto que o conhecimento da verdade é divino, pois somente quem criou o universo pode conceder este entendimento, o conhecimento do bem e do mal, por sua vez, é social, relativo e mutável. Porque o que é bom para uma sociedade pode ser mal para outra e em determinado momento isso pode mudar. Foi neste nível de conhecimento que a humanidade se desenvolveu durante dez gerações desde Adam Harishon até Noach. Nesta última geração Deus decide por destrui-la uma vez que era perversa e corrompida.

A Torá nos apresenta dois motivos pelos quais sobreveio o dilúvio: perversidade, como está escrito: “E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente”[1]. O segundo é a corrupção da criação, como está escrito: “A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência”[2]. Explicam os sábios que dois foram os pecados da geração de Noach: roubo, caracterizado pela violência (hamás חָמָס); e relações proibidas, caracterizada pelo trecho final do versículo 12 que diz: “toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra”. Explica um midrash que essa corrupção se dava entre os animais onde se relacionavam entre espécies diferentes[3].

Ao final da parashá Bereshit está escrito:

“Viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram. Então disse o Senhor: Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem; porque ele também é carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos”.

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Entende-se por “filhos de Deus” (בְנֵי-הָאֱלֹהִים) justamente como traduz Onkelos: filhos dos grandes [dirigentes, juízes] (בְנֵי רַבְרְבַיִּא). Aqueles que deveriam manter a ordem e praticar a justiça se desviaram de sua função e contra o que pregavam e exigiam dos demais começaram a dedicar suas práticas. O problema não era que tivessem buscando mulheres dentre os homens comuns, mas que as tomavam de todas as que escolhiam, como diz o texto. Ou seja, não lhes importava se eram comprometidas. Micol asher baharu (מִכֹּל אֲשֶׁר בָּחָרוּ) entende Rashi que se trata tanto de mulheres casadas, como homens e animais[4].

O ponto em questão é que tudo o que fazia a humanidade era segundo o que lhe parecia bem aos seus olhos, e não o que era correto. Mas como poderiam saber o que era correto se não a Torá não havia sido entregue? A resposta é que ao primeiro homem lhe foram dadas seis das sete leis dos filhos de Noach, como explica Rabenu: “sobre seis coisas foi ordenado o primeiro homem: idolatria, profanação do Sagrado, assassinato, relações proibidas, sobre o roubo e sobre exercer a justiça”[5]. Já depois do dilúvio foi acrescentada a proibição de comer a carne de um animal vivo. Para estes mandamentos não se necessita um esforço sobrenatural para entender a necessidade de seu cumprimento.

Todos os mandamentos que dependem completamente da ação com exceção do mandamento de crer em Deus[6]. E aqui é onde voltamos a questão da objetividade e da subjetividade da perspectiva do homem em relação à realidade. Em uma sociedade todas as leis podem ser reavaliadas e resignificadas. Inclusive na Torá, que apesar de todo o esforço do judaísmo em manter sua compreensão verdadeira, por causa de nossa perspectiva subjetiva damos diversas interpretações em busca de uma compreensão correta.

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A Torá nos mostra o comportamento da humanidade e como os mandamentos são importantes para a construção de uma sociedade saudável, pois para isso fora dada ao homem[7]. Todas as ações humanas dessas primeiras gerações, tanto as reveladas como as ocultas, haja vista que a Torá não nos explica qual foi o pecado da geração de Bavel, foram segundo aquilo que achavam certo de acordo com suas necessidades. Apenas a crença na divindade era que mantinha sua existência. Claro, as prática e a forma com que manifestava sua crença é outra coisa. Desde a terceira geração de Adam Harishon a humanidade começou a praticar a idolatria. Mas essa prática só era possível porque se creia na existência do Divino. A fé é cognitiva por isso está conectada à capacidade de raciocínio. Mas a forma com a qual é manifestada está na esfera da ação e esta pode ser relativizada.

A fé em Deus é o único que nos há restado da compreensão da verdade que esperimentou o homem no Gan Éden, onde há apenas duas opções: crer ou não crêr. Verdade ou Mentira. Por isso o foco de Rabenu em sua obra Guia dos Perplexos é provar que Deus existe e que é um. Pois este é o ponto principal da emuná. A fé é o fio que conecta a humanidade a sua origem. A partir do momento que se perde a fé todo o conceito de moral, de civilidade e de respeito à vida perde o sentido.

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Na geração do dilúvio não havia lugar para Deus, como está escrito: “toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente”[8] (וְכָל-יֵצֶר מַחְשְׁבֹת לִבּוֹ, רַק רַע כָּל-הַיּוֹם). O Midrash Rabá relaciona este verso com o de Kohelet, que diz: “Todos os seus dias são dores, e a ira sua ocupação; mesmo durante a noite não descansa seu coração”[9]. Explicam os sábios que a pessoa irascível é como alguém que pratica idolatria[10]. Traz o midrash: “desde que o sol brilhava até o seu ocaso, não havia neles esperança, como está escrito – ‘o homicida levanta-se quando amanhece o dia para matar o pobre e o indigente; e durante a noite será como ladrão’[11][12].


[1] Bereshit 6:5

[2] Idm 6:11

[3] Bereshit Rabá 28:8

[4] Comentário de Rashi sobre o verso. Ver também Midrash Bereshit Rabá 26:5

[5] Mishne Torá, Leis dos Reis 9:1. Ver também Bereshit Rabá 16:6

[6] Shemoná Prakim 2

[7] Guia dos Perplexos 3:32

[8] Bereshit 6:5

[9] Kohelet2:23

[10] Shabat 105b; Rambam, Deot 2:7

[11] Yov 24:14

[12] Bereshit Rabá 27:2

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Categorias:Curiosidades, emuná, Exegese, Guia dos Perplexos, Parashá, Parashá com Rambam

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