Ler Meguilat Ester do livro ou do Pergaminho?


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Há quem pense que ler a Mesguilá impressa desde um livro estaria cumprindo com a mitzvá e alegam se apoiar no psak de Rambam. Estão equivocados e não compreenderam o que rabenu escreveu nas leis da Meguilá.

Meguilat Ester

Meguilat Ester, século XIV a XVI – Parma, Itália.

A obrigação de ler a Meguilat Ester só se cumpre quando se lê de uma meguilá escrita com dió (tinta preta especial para escrita em pergaminhos) em pergaminho ou guevil (tipo de pergaminho feito do couro do lado em contato com a carne). Se escrita de outra cor que não seja o preto, se escrita em papel ou em pergaminho não curtido, escrita por não judeu ou herege a meguilá não é válida para se cumprir com a mitzvá de purim, não podendo, assim, recitar berachá por ela e nem lê-la ao público.

Quando se traz na halachá (Leis da Mehilá 2:8 ou Shulchan Aruch Orach Haim 671:8) que se pode ler a Meguilá que está dentre os escritos (Ketuvim – livros históricos) é porque havia o costume de se escrever todo o Tanach em rolos de pergaminhos. E ainda assim, estando ela dentre de um rolo com outros livros sua parte de pergaminho deve ser mais alto ou mais curto que os demais para que se possa reconhecer se tradar da Meguilat Ester e assim poder ler ao público. Não sendo assim, apenas para a leitura individual estaria permitido.

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Fragmento da livro de Ester traduzido ao árabe em caracteres hebraicos. Genizá do Cairo.

Vale salientar que uma meguilá escrita em outro idioma, como o português, por exemplo, é válida para a leitura pública e se pode recitar a berachá por ela. Claro, desde que escrita em pergaminho com Dió, em letras correspondentes ao idioma a que se refere e lida a pessoas que entendam tal idioma. No Yemen houve o costume de se escrever Meguilá em árabe com letras hebraicas, pois assim escreviam os judeus do Mediterrâneo e do Oriente Médio.

Na sinagoga o baal korê lê a Meguilá de um pergaminho kasher enquanto que o público acompanha a leitura a partir de outro pergaminho ou livro. Neste caso, como se está escutando o que se lê publicamente e apenas acompanha em sua versão em mãos, mesmo que traduzida, está permitido. O baal korê tem a intenção de liberar a todos os ouvintes da obrigação da leitura.

No caso de alguém que não tem acesso a uma Meguilá Kesherá, seja para lêr ou ouvir, recomenda-se que leia de um livro comum. Muito embora não esteja cumprindo a mitzvá, ao menos está divulgando o milagre e se unido a Am Israel neste dia.

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Categorias:Curiosidades, Festas, Mishne Torá

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