A relação de Rambam com os Midrashim


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Verdade que Rambam não escreveu um comentário da Torá, mas se fôssemos juntar todas suas citações juntamente com seu entendimento sobre elas teríamos um super comentário!

A explicação da Torá se chama, em hebraico, “peirush”. Ela pode estar baseada no contexto, em comparação com outras passagens, na sustentação teológica ou nos ensinamentos dos sábios. Os ensinamentos dos sábios sobre a Torá chamamos de “hagadat hazal” ou “midrash”.

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Rambam se relaciona aos midrashim de uma forma muito interessante. Rabenu atribui aos midrashim a qualidade de filtro que separa alguém com a mente suficiente desenvolvida para seu estudo daqueles que não; consequentemente filtra aqueles que podem ser bons alunos de Torá e os que não. Nos explica rabeinu que: “estas drashot, quando compreendidas de forma inteligente, entende-se delas da boa verdade, da qual não há nada acima dela. Revela-se delas os assuntos [temas] divinos [maasse bererishit e maasse mercava] e a verdade das coisas que os sábios exaltavam e não queriam revelar”[1]

Os midrashim são a coletânea de conhecimento dos sábios acumulados em todos os anos de estudos de Am Israel! Alguns são de simples compreensão, mas a maioria precisa ser “decifrada” pelo estudo. A capacidade de decifrar os ensinamentos contidos em histórias, muitas fictícias, define o nível do aluno. Em sua introdução ao “Perek Helek” Rambam divide o entendimento dos midrashim em três categorias:

  1. Aqueles que recebem os ensinamentos de forma literal sem qualquer tentativa de se aprofundar neles.
  2. Aqueles que desvalorizam os ensinamentos dos sábios, haja vista não alcançar sua compreensão, e dizem não ter qualquer fundamento ou razão.
  3. A minoria, aqueles que são capazes de entender e revelar o oculto nos ensinamentos dos sábios.

O filho de Rambam, Rabi Abraham ben Harambam (Abraham Hanaguid) segue os caminhos de seu pai. Sistematiza o conceito e divide os midrashim em 5 categorias[2]:

  1. Midrashim de fácil compreensão, que não ocultam nada e seu entendimento é direto e claro.
  2. Midrashim que devem ser entendidos pelo conceito central abordado na história e não no entendimento literal desta.
  3. Midrashim nos quais o conceito central não é o principal, mas sim o entendimento literal, mas que ambos se confundem.
  4. Midrash que traz o entendimento lógico de um pasuk, sem que este entendimento tenha sido recebido pelas gerações anteriores.
  5. Alegorias, ensinamentos transmitidos por meio de histórias fictícias fruto da imaginação, mas que guardam em si segredos de compreensão que não poderia ser revelado a todo público.

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Para desenvolver sua obra teológica e filosófica, o Guia dos Perplexos, Rambam recorreu por diversas vezes aos midrashim para sustentar sua ideia, usando-os em alguns casos para explicar um pasuk e, em outros, para explicar um conceito. Mais de 300 citações de midrashim são encontradas nesta obra.


[1] Introdução a Explicação da Mishná

[2] Rabi Abraham bem Harambam, Guerras de Deus [Milhamot Hashem]



Categorias:Curiosidades, emuná, Exegese, Guia dos Perplexos

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